Bolo, Dicas Culinárias, Receitas

3 Maneiras Infalíveis de como Solar um Bolo

O mês de maio não foi meu melhor mês na cozinha, confesso. Quase tudo que eu fiz eu errei a mão em algum tempero, derrubei mais panelas que o normal e perdi o ponto várias vezes.

Dentre essas desilusões culinárias estava um bolo que eu tentei fazer pra minha mãe no Dia das Mães, que como eu já estou adiantando, não deu certo de jeito nenhum, nem quando eu tentei repetir a receita.

Era pra ser um bolo de libra de baunilha com adoçante culinário, porque minha mãe tem diabetes, daqueles que a gente coloca fatias de abacaxi no fundo e quando é desenformado, ficam as frutas douradas e lindas por cima. Ok, o adoçante não ia deixar as frutas tão douradas assim, mas ainda assim ficaria uma linda sobremesa pra data.

Inclusive eu fotografei todos os passos da receita, mas como não tive o produto final, elas acabaram ficando como uma pequena lembrança dessa desventura na cozinha.

Começar uma receita com todo carinho e terminar com um bolo solado acontece com todo mundo. Nesse post eu faço umas reflexões de porque isso pode acontecer e o que é possível fazer pra não acontecer de novo.

Minhas camadas não tão lindas de abacaxi.

 

Começar uma receita com todo carinho e terminar com um bolo solado acontece com todo mundo. Nesse post eu faço umas reflexões de porque isso pode acontecer e o que é possível fazer pra não acontecer de novo.

Claras em neve e manteiga branqueada com adoçante culinário.

 

Começar uma receita com todo carinho e terminar com um bolo solado acontece com todo mundo. Nesse post eu faço umas reflexões de porque isso pode acontecer e o que é possível fazer pra não acontecer de novo.

Essa parte de cima é a massa final… Não parece que vai dar muito certo né? (Eu dei uma espalhadinha antes de ir pro forno)

Existem diversos fatores pelos quais um bolo pode não crescer – também conhecido como bolo solado. Não vou cobrir todos eles nesse post, pois vou falar apenas desse caso específico, e pode te ajudar quando você for fazer seu próximo bolo.

Fermento químico x Claras em Neve

Eu estava seguindo uma receita em que as claras em neve são as responsáveis pelo crescimento do bolo. Só que a receita original usa açúcar cristal, e eu estava usando adoçante culinário. Não sei se todos estão familiarizados, mas você pode adaptar quase qualquer receita com esse tipo de adoçante, só que, claro, elas terão algumas diferenças das versões adoçadas normalmente.

Uma dessas diferenças é que, mesmo quando é usado fermento, o bolo tende a crescer menos do que um bolo com açúcar, porque esse ingrediente também é responsável, junto com o glúten da farinha de trigo, pela estrutura da massa. Um bolo com adoçante também tende a corar menos que um bolo com açúcar.

E o que eu fiz? Eu esqueci desse pequeno detalhe e usei apenas as claras da receita original. Assim meu bolo ficou sem essa ajuda, e esse pode ter sido o primeiro fator que atrapalhou seu crescimento.

Excesso de Frutas

Esse erro também foi por pura bobagem e esquecimento de regras básicas na confecção de um bolo.

Como eu achava que o bolo ia ficar meio sem graça, por ser simples e com adoçante, eu quis caprichar bastante com os abacaxis do fundo.

Acabei com duas camadas de fatias de abacaxi – que vocês podem ver nas imagens acima – grossas demais que não deixaram o calor subir à massa do bolo. Aliás, nem os abacaxis terminaram de assar, pois quando tirei do forno, 40 minutos depois, eles ainda estavam meio ‘crus’.

Moral dessa parte: teria sido melhor ficar com uma camada de fatias modestas, pois assim os abacaxis assariam rápido e liberariam calor pra massa do bolo. Eu acho que isso pode servir para qualquer fruta que se queira colocar no fundo da forma.

Farinha de Trigo de Qualidade Duvidosa

Esse é o fator que eu acredito que foi responsável pelo maior desastre desses bolos que tentei fazer.

O que acontece com as farinhas é o seguinte: como qualquer produto, diferentes marcas e preços levam a qualidades variadas. Por exemplo, aqui nos supermercados de Brasília eu encontro uma marca que normalmente custa o dobro das demais. No curso de confeitaria eu aprendi que ela é ótima para massas mais delicados, mas que não faz tanta diferença assim quando se quer fazer um pão, por exemplo. Normalmente as marcas que eu compro regularmente variam em uma faixa de preço razoável, e sua qualidade é semelhante. E eu sempre dou preferência pras embaladas em plástico, porque eu imagino que ficam mais bem protegidas que as embaladas em papel.

Mas mês passado a farinha de trigo que estava aqui em casa era de uma marca completamente estranha (depois eu conferi no supermercado e ela custa um valor bem abaixo do que as marcas mais comuns). Como não sou eu que faço as compras do dia a dia, eu acho que as demais marcas deviam estar em falta.

Bom, era o que tinha disponível né? Pensei: essa farinha tá estranha mas não deve dar problema não.

Na verdade o problema já começou logo que eu fui incorporar a farinha na massa: ela encheu de grumos e ficou bem mais escura que as outras massas de mesma receita que eu já tinha feito. Só que na hora eu nem associei isso à farinha. Sabe quando você tá empenhado em fazer algo e nem vai dando conta dos sinais que vão surgindo? Pois é, era eu nesse dia.

Continuando então com o bolo, finalizei as etapas e levei pra assar. E solou.

Refiz, dessa vez em uma forma maior, com apenas uma camada de abacaxi, e solou de novo.

Fim.

Minhas reflexões sobre um bolo solado

Como eu disse, não vou resolver todos os problemas do processo de solar um bolo com apenas esse post 🙂

Mas eu acredito que a qualidade geral dos ingredientes tem um papel importante. É claro que, se você já está acostumado a usar ingredientes que dão certo, não precisa mudar pros mais caros disponíveis na loja.

O mesmo vale pra farinha de trigo, que eu vejo como a vilã desse meu mês de maio. Talvez a farinha não importasse tanto se a minha receita não utilizasse apenas 4 ingredientes (veja essa receita aqui – dessa vez em um bolo que deu certo, hehe) e por isso a influência de cada um no resultado final é bem maior do que em um bolo mais tradicional.

Talvez uma outra marca de menor custo possa ter qualidade equivalente às marcas que estou acostumada. Não sei.

Mas por via das dúvidas, eu recomendo que se forem fazer algo na cozinha e tiver dúvidas sobre os ingredientes, invistam em ingredientes com a melhor qualidade que você puder pagar, até se familiarizar com as marcas disponíveis. Não gosto muito de generalizar, mas minha experiência na cozinha e na confeitaria tem me mostrado que a qualidade de alguns produtos está sim relacionada com o seu preço.

Filosoficamente falando, eu poderia simplesmente estar em um dia de astral ruim, e aí nem com os melhores ingredientes na melhor cozinha do mundo eu ia conseguir finalizar uma receita satisfatoriamente. =P

Mas pensando bem, essas situações desafortunadas na cozinha são mais comuns do que se imagina, e faz parte do processo de aprendizado nessa arte cheia de incertezas. A gente fica triste um tempo, reflete, e no outro dia volta e faz tudo de novo 🙂

Beijos e até o próximo post!

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