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  • O Guia de Precificação para Artesãs – Parte 2 + Planilha Automática

    O Guia de Precificação para Artesãs – Parte 2 + Planilha Automática

    Na primeira parte do Guia de Precificação para Artesãs, nós falamos sobre a diferença entre preço e valor e eu dei 5 dicas para você começar a valorizar o seu trabalho hoje. Se não viu, clique aqui para ir ler.

    Hoje nós vamos começar com uma mensagem: não tenha medo de colocar o preço real do seu produto, pois esse é o primeiro passo para a profissionalização do seu trabalho.

    Para colocar o preço corretamente, nós precisamos primeiro entender todos os custos envolvidos, para então aplicar a fórmula correta.

    E no final desse post tem um presente que vai te ajudar muito: você poderá adquirir a minha planilha automática que já vem com todas as fórmulas. Tudo o que você precisa colocar são os valores que vamos aprender nesse post, e o custo final do seu produto será calculado, já com o lucro que você desejar!

    Vamos lá?

    Para o nosso exemplo eu escolhi trabalhar com o seguinte cenário:

    Produto: sapatinhos de crochê para bebês de até 6 meses de idade.

    Investimento inicial: R$500,00 – esse valor é considerando todo o material necessário para começar: linhas, acessórios, agulhas, tesoura.

    Estoque: R$250,00 – no estoque está inclusa uma pequena quantia de linhas para desenvolver os sapatinhos assim que as encomendas chegam. Trabalhar com estoque é bom porque, assim, você não precisa sair sempre para comprar material, pode deixar as compras para um único dia do mês, por exemplo.

    Pro labore: R$998,00 – aqui estou considerando um valor mínimo, que pode, e deve!, aumentar com o tempo. Você pode começar com um valor mais alto também quando fizer as suas contas. É comum achar que o lucro da empresa é o que você retira pra si, mas isso está errado! Você precisa definir o quanto quer ganhar ANTES de retirar lucros na empresa, do contrário, como pagará as contas pessoais enquanto o ateliê não começa a dar lucro?

    Horas trabalhadas no mês: vamos considerar 8 horas de trabalho por dia e 30 dias. Mas calma! Por semana estamos considerando 5 dias para o trabalho de fato, fazer as peças, fotografar, pesquisar técnicas e receitas. O sexto dia, que pode ser um dia na semana, é para resolver assuntos relacionados ao ateliê como pagar as contas, ir aos Correios e fazer as compras. E o sétimo dia é para o seu descanso/lazer. Ou seja, estamos aqui fazendo as contas bem profissionais, como realmente é calculado para alguém na CLT.

    É claro que você pode adaptar todo esse cenário para o seu caso específico, mas eu precisava estabelecer algumas características pra pode explicar os custos, ok?

    Guia de Precificação: entendendo todos os custos

    A partir do cenário que eu elaborei, vamos à nossa fórmula de custos. Ela terá esse formato:

    PFL = CMP + CF + CV + CC + CI + PL + LUC

    ou seja:

    Preço Final com Lucro = Custo da Matéria Prima + Custos Fixos + Custos Variáveis + Custo dos Correios + Custo dos Impostos + Pro labore + Lucro.

    Está parecendo difícil? Vem comigo que vou explicar cada um deles:

    Custo da Matéria Prima

    O custo da matéria prima nada mais é do que todo o material utilizado para fazer um sapatinho (no nosso exemplo). Aqui incluem as linhas e acessórios (eu gosto de colocar um botão ou pingente para enfeitar, mas é opcional) e também a embalagem. Vai embrulhar o produto em um papel de seda para então colocar numa caixa e amarrar com uma fita? Coloque todos esses valores como CMP.

    Custos Fixos

    Aqui entram todos os custos que sempre vão existir. Contas de luz, água, internet, telefone.

    Se você tem um site, aqui também devem entrar os custos relativos a ele, como o domínio (que normalmente é anual), a hospedagem e a mão de obra (se você contratou alguém para desenvolver o site e precisa de manutenção).

    Se o seu ateliê já está crescendo, você provavelmente irá precisar de um contador, e é aqui que entra o honorário dele também.

    Se você irá incluir os custos de investimento e de estoque, é aqui que deve colocar também, da seguinte maneira. Eu investi 500 reais para o nosso exemplo aqui, e quero o retorno em 12 meses. Logo, eu divido os 500 reais por 12 meses, o que dá R$41,70 mensais.

    Em relação ao estoque, você simplesmente coloca quanto de estoque irá investir por mês.

    Custos Variáveis

    Os custos variáveis são todos aqueles que não são recorrentes. Precisou comprar uma agulha nova ou tesoura? Custo variável. Decidiu investir esse mês em marketing digital? Variável (a não ser que você passe a investir uma quantia fixa nesse item, aí ele deve ser considerado custo fixo). Quer fazer cursos de capacitação ou comprar livros e revistas? Coloque aqui também.

    Custo dos Correios

    Nos custos dos Correios você deve colocar todos os custos relacionados ao frete, seja nos Correios ou não. Não se esqueça de incluir o custo do seu deslocamento até a agência, se for o caso.

    Custo dos Impostos

    Aqui estamos considerando uma artesã que está registrada no MEI. O custo do MEI é fixo, cobrado mensalmente e tem ajustes anuais. Para o ano de 2019, esse valor é de R$ 56,00/mês. Caso você incorra em outros impostos, deve acrescentá-los aqui também.

    Pro labore

    Como já dito anteriormente, o pro labore, de maneira simplificada, é a remuneração pelo seu trabalho. Defina um valor razoável se está começando, que idealmente seria aquele que cubra as suas contas pessoais mínimas para viver (aluguel e contas da casa, gastos pessoais e um valor para investimentos financeiros). No nosso exemplo eu utilizei o valor do salário mínimo em 2019.

    Lucro

    O lucro é o valor que retorna para a empresa, após descontados todos os custos. Você não deve ter medo de retirar o lucro, mas eu recomendo duas coisas: não confunda o lucro da empresa com o seu ganho pessoal. É por isso que na conta dos custos nós estabelecemos um pro labore. Se você acha que precisa ganhar mais, aumente o valor do seu pro labore. Em hipótese nenhuma retire o lucro da empresa para sua conta pessoal. Esse valor deve ser usado para investimentos na empresa, como compra de material (além do estoque), compra de equipamentos (como uma máquina fotográfica ou computador), ou mesmo para investir em nome da empresa e deixar o dinheiro render.

    Eu disse que você não deve ter medo de lucrar, mas seja realista. Estabeleça um valor pelo menos mais alto do que ~7%, que seria aproximadamente o retorno anual caso você deixasse o dinheiro em um investimento de baixo risco. Mas também não coloque lucros tão altos que inviabilizem o preço final do produto. Aqui vale dar uma pesquisada nos preços dos concorrentes, para que você tenha um preço final competitivo. No nosso exemplo eu colocarei um lucro de 10% em cima dos custos totais, e sugiro que você trabalhe entre 10 e 20%, pelo menos no início do negócio.

    Calculando o Preço Final

    Vamos então saber qual será o preço final do meu par de sapatinhos de crochê?

    Como eu disse, preparei uma planilha pra você baixar, e ela terá essa cara com todos os valores preenchidos:

    Olhando mais de perto, temos a primeira coluna de entradas, que ficou assim:

    Todas células pintadas de azul deverão ser preenchidas por você. Vamos ver o que eu preenchi em cada uma delas, seguindo a ordem:

    No nosso exemplo, estamos trabalhando com Sapatinhos de Crochê. Eu tive um investimento inicial de R$500,00, pois estou considerando que estou começando do zero. Eu decidi investir em R$150,00 de estoque por mês.

    • Produto: No nosso exemplo, estamos trabalhando com Sapatinhos de Crochê.
    • Investimento inicial: Eu tive um investimento inicial de R$500,00, pois estou considerando que estou começando do zero. Se você não vai considerar o investimento inicial, preencha essa célula com o valor 0.
    • Estoque: Eu decidi investir em R$150,00 de estoque por mês. Se você não vai considerar o investimento inicial, preencha essa célula com o valor 0.
    • Pro labore: quanto eu quero receber pelo meu trabalho, mensal, como já explicado anteriormente.
    • Horas de Trabalho/dia: aqui são quantas horas totais no dia estou reservando para o trabalho, seja ele a confecção do produto em si ou outras demandas do ateliê.
    • Horas de trabalho para concluir 1 unidade: quantas horas efetivas de trabalho eu gasto para concluir 1 unidade inteira, incluindo embalagem.
    • Dias de trabalho efetivo: como explicado anteriormente, aqui são os dias dedicados à produção das unidades de produto.
    • Retorno do investimento inicial: para quem irá considerar esse investimento e quer dividir o retorno em meses. Se você preencheu 0 para a célula de investimento inicial, preencha 1 nessa célula.

    Preenchida essa parte, vamos agora aos custos:

    Novamente, as células azuis são as que vamos preencher:

    • CMP: eu gasto 10 reais totais para produzir 1 unidade do meu produto, ou seja, um par de sapatinhos.
    • CF: aqui eu considerei todos os meus custos fixos de água, luz, internet, etc. No meu exemplo o ateliê é na minha própria casa, então das minhas contas totais, eu calculei o que seriam equivalentes a 8 horas diárias de gasto.
    • CV: nesse item eu estipulei um valor para ter fixo de gastos variáveis. Na planilha você pode alterar os valores para ajustar o preço final.
    • CC: aqui eu considerei o custo que terei para ir aos Correios 4 vezes por mês. O custo do frete do produto fica por conta da cliente!
    • CI: custo mensal do MEI.
    • LUC: considerei que quero ter um lucro de 10% em cada peça.

    Assim que você terminar de preencher todas as células azuis, as células roxas atualizam automaticamente.

    No nosso exemplo, dadas as minhas horas trabalhadas, eu consigo produzir 35 pares de sapatinhos por mês. O custo unitário sem o lucro fica em R$62,60. Lembre-se, se você cobrar esse valor, não terá prejuízo, pois estará cobrindo todos os seus custos. Adicionado um lucro de 10%, o preço final (PFL) fica em R$68,86, que você pode arredondar para R$70,00 (nesse caso, os centavos a mais você decide para onde vai, mas eu recomendo considerar como lucro). Se ainda tem dúvidas sobre o lucro, reveja a explicação no início do post ou deixe um comentário!

    Assim, se eu produzir todos os 35 sapatinhos, terei uma receita bruta total de 2.423,96, sendo que desses, 352 reais são de matéria prima e, aproximadamente, 220 reais em lucro líquido. Eu escolhi detalhar esses três valores no final da planilha para que você possa ter uma ideia melhor. Assim, se a sua matéria prima ficar muito cara, você saberá e poderá decidir como melhorar esse item do custo. Assim como o lucro, para que você possa acompanhar de perto o reinvestimento em seu ateliê.

    Para comprar a planilha, clique no link a seguir.

    E aí, gostaram? O que acharam do nosso Guia de Precificação para Artesãs? Eu fiz com muito carinho pensando em quem não tinha, até agora, a mínima ideia de como calcular o preço do produto artesanal que faz. Também para quem já tinha alguma ideia e estava perdida.

    Não esqueçam de deixar as dúvidas nos comentários, ok?

  • 5 ideias para começar a valorizar o seu artesanato hoje: O Guia de Precificação para Artesãs – Parte 1

    5 ideias para começar a valorizar o seu artesanato hoje: O Guia de Precificação para Artesãs – Parte 1

    Este é o primeiro de dois posts do nosso Guia de Precificação para Artesãs, dedicados para que você profissionalize a precificação do seu artesanato e, se for do seu interesse, formalize corretamente o seu ateliê.

    Muitas artesãs têm seu trabalho de crochê, tricô e outros, como uma fonte de renda extra. Isso é ótimo, porque se dedicar a uma atividade artística traz diversos benefícios e claro, se puder vir acompanhada de um dinheirinho, melhor ainda.

    No entanto, o hobby pode começar a virar trabalho quando você atinge muitas vendas, ou você pode querer profissionalizar seu ateliê desde o início. O problema é que, muitas vezes, as peças não são precificadas corretamente, normalmente sendo vendidas abaixo do preço que deveria ser cobrado. Assim, no fim do mês, você está cansada, vendeu muito, mas não consegue pagar as contas nem do próprio ateliê.

    Muitas artesãs têm receio de investigar corretamente quanto devem cobrar pela peça. Pior, muitas cobram abaixo do preço porque acreditam que não conseguirão vender as peças. Bom, muitas vezes não consegue mesmo, mas isso não é porque o preço está errado, mas porque você está tentando vender para pessoas que não são o seu público.

    Para ter sucesso, você precisa identificar seu nicho de mercado e, principalmente, ser a primeira a valorizar o seu trabalho. O post de hoje não é sobre marketing, mas se você gostaria de saber mais sobre isso, deixe um comentário nessa postagem pra eu saber!

    Muitas artesãs têm receio de investigar corretamente quanto devem cobrar pela peça. Pior, muitas cobram abaixo do preço porque acreditam que não conseguirão vender as peças. Bom, muitas vezes não consegue mesmo, mas isso não é porque o preço está errado, mas porque você está tentando vender para pessoas que não são o seu público.

    Para ter sucesso, você precisa identificar seu nicho de mercado e, principalmente, ser a primeira a valorizar o seu trabalho. O post de hoje não é sobre marketing, mas se você gostaria de saber mais sobre isso, deixe um comentário nessa postagem pra eu saber!

    Guia de precificação para artesãs: saiba a diferença entre preço e valor

    É imprescindível saber a diferença entre o preço do seu produto e o valor que ele tem no mercado. O preço simplesmente é a soma de todos os custos que você tem ao confeccionar uma peça. Tem custo fixo, custo variável, custo de matéria prima. No próximo post nós vamos aprender sobre cada um deles.

    Já o valor pode incluir diversos fatores. Valor sentimental, valor pelo status, valor pela qualidade. Inúmeras razões podem levar uma pessoa a comprar uma peça feita à mão. O nosso papel então passa a ser, além de fabricar as peças, investir naqueles fatores que irão agregar valor ao produto final.

    5 dicas para começar a valorizar o seu trabalho HOJE

    Muitas coisas você pode fazer para agregar valor aos seus produtos. Hoje vou indicar 5 dicas quais eu acho mais importantes atualmente:

    • Utilizar matéria prima de qualidade.
    • Investir no marketing: seja com cartão de visita, site ou blog, redes sociais, loja online. Você não precisa estar em todos logo no início. Escolha um e invista!
    • Investir no seu posicionamento online: teve post aqui falando sobre como fazer paleta de cores para identidade visual.
    • Aproveitar tendências de mercado como datas comemorativas, por exemplo.
    • Entender qual é o seu público alvo e suas demandas.

    Se você quiser mais detalhes sobre cada um desses pontos, deixe aqui nos comentários. Em qual deles você vai começar a investir hoje?

    Não deixe de ver o segundo post dessa série clicando aqui. Lá tem uma explicação bem completa de como calcular o preço final do seu produto, já com o lucro final. Para fechar o Guia de Precificação para Artesãs, eu também preparei uma planilha bem especial caso você não tenha facilidade com os números. Super fácil de usar, basta ter acesso a um computador com Excel.